Faça as contas. Quantos amigos você fez nos últimos três meses?
Tem gente que responde, na ponta da língua:
- 81
- 52
- 123
- 140
Calma, gente. Eles não fazem parte do seleto grupo de ricos e
famosos. Foram contaminados por uma praga que surgiu na internet: o Orkut.
“E você vai entrando, vai entrando, vai entrando e não tem
fim. Você pode viajar pelas comunidades e vai achar gente conhecida”, conta
Renata Uchoa, fisioterapeuta e "orkuteira".
O Orkut é mais nova onda para você conhecer pessoas ou encontrar
velhos amigos.
“Vai diminuir o sentimento de solidão, porque você com diversos
amigos parece que faz parte de uma grande comunidade”, analisa Pablo Miyazawa,
jornalista e "orkuteiro".
Nessa rede só entra quem é convidado.
“Recebi convite de amigos no final de fevereiro e comecei a usar
em março”, diz Pablo.
A função básica é bisbilhotar. Como a página da ex namorada.
“Eu olhava que comunidade ela estava entrando, bisbilhotava
mesmo. Eu assumo. Quem está escrevendo pra ela. Quem é fã dela”, confessa
Rodrigo Olaio, estudante e “orkuteiro”.
Outra função: criar comunidades. Há até uma de quem odeia o
Orkut.
”Não gosto, não tenho o menor interesse em entrar no Orkut. Acho
uma perda de tempo”, reclama Luiza Junqueira.
O site foi criado pelo turco Orkut Huyukkokten - que batizou a
invenção com o próprio nome.
Ele falou com o fantástico por e-mail.
“Nós construímos o orkut.com porque queríamos criar uma
comunidade onde as pessoas pudessem encontrar amigos, fazer negócios e arrumar
namoradas”, escreveu o turco.
O pai da criança ficou surpreso: o Brasil é o país com o maior
número de usuários. Dos mais de um milhão de orkuteiros da terra, metade é
brasileira: 50,27%.
“Nunca estive no Brasil. Estamos contentes, mas não podemos
fazer uma análise de tanta popularidade no Brasil”, continua o Sr. Orkut.
O professor de matemática Roberto Jamal também não sabe
explicar porque o brasileiro virou orkuteiro de carteirinha. Mas consegue
calcular onde essa brincadeira vai parar.
Se uma pessoa convida dois amigos, e esses dois amigos mais dois
no final de dez dias ela terá 1.024 amigos. Em 15 dias, 32.768 amigos. E
em 33 dias, 8 bilhões de amigos. Número maior do que a população da terra.
“Quem não tem computador e não entrar na internet e não
participar do orkut não vai ter 8 bilhões de amigos, mas em compensação ele
terá, aproximadamente, oito amigos do peito”, ensina Jamal.
Quem entrou na onda do orkut sabe: amigo é amigo. Orkuteiros são
um caso à parte.
“A gente sempre fala que dá pra contar na mão os amigos do
peito. Aqueles que correm quando a gente precisa”, afirma
Pablo.
Dentro de cada uma de nossas células trazemos o DNA, o código de
instruções para a fabricação de um ser humano. Cada molécula de DNA é composta
de 46 cromossomos, metade herdada de nossos pais, metade de nossas mães.
O que determina se um embrião vai nascer homem ou mulher são os
cromossomos sexuais. Mulheres trazem no seu código genético dois cromossomos
"X", enquanto que homens têm um "X" e um "Y".
Mas nem sempre é simples assim. Veja o caso da americana Jan
Johnson. Ela tem 42 anos, saúde perfeita, adora jogar vôlei. Jan tem rosto de
mulher e corpo de mulher, inclusive os órgãos sexuais. Mas geneticamente ela é
homem. Tem um cromossomo "X" e um "Y".
Ela admite que sofre muito com o estigma de sua condição
genética. Ninguém é perfeito, diz Jan, mas não é fácil falar de algo tão íntimo
na televisão.
Quando era pequena, Jan não fazia idéia de que era geneticamente
homem. Ela conta que jamais se sentiu diferente na infância. Era uma menina
normal, que gostava de brincar de bonecas com as amigas.
Mas, quando chegou à faculdade, Jan notou que havia algo
diferente. Aos 19 anos, ainda não tinha menstruado. Jan conta que era doloroso
se sentir diferente das outras meninas. Ao procurar o serviço médico da
universidade, descobriu-se: Jan tinha cromossomos "X", "Y".Deveria ter nascido
homem.
Mas o que aconteceu? A resposta está no cromossomo masculino, o
"Y". À primeira vista, a principal diferença entre o cromossomo masculino "Y" e
o feminino, o "X", é que o "Y" é muito menor. Ele contém apenas 60 genes. O "X",
feminino, carrega três mil genes.
O geneticista Peter Goodfellow conhece a fundo o cromossomo "Y".
Foi ele quem descobriu que um único gene é responsável pela formação da
genitália masculina.
Ou seja: para se fazer um ser humano, são necessários cerca de
30 mil genes. Mas para se fazer um homem, basta um único gene, chamado SRY. O
gene SRY é como uma chave, que liga e desliga. Até seis semanas de gestação, o
embrião não tem sexo definido. Depois de seis semanas, se o gene SRY for
ativado, começa a produção dos órgãos sexuais masculinos.
O que aconteceu no caso de Jan Johnson é que o gene SRY dela
jamais foi ligado. Com isso, ela não desenvolveu os testículos, órgãos
responsáveis pela produção da testosterona, o hormônio que dá ao corpo as
características masculinas essenciais.
Ao descobrir que era geneticamente homem, Jan ficou sabendo
ainda que era estéril. Jamais poderia ter filhos, porque não tinha útero, nem
ovários. Ela ficou tão traumatizada que, na época, preferiu não contar a verdade
para o namorado e futuro marido, Peter.
Ela conta que apenas explicou que jamais poderia ter filhos, mas
não entrou em detalhes. A única pessoa com quem compartilhou o segredo foi a
professora de anatomia Kris Blodget. A professora lembra que tentou consolar
Jan, lembrando o quanto ela era feminina e que isso era o que realmente
importava.
Mas Jan diz que foi devastador saber que era homem,
principalmente porque ela e o marido jamais conseguiram chegar a um acordo
quanto a adotar uma criança.
Hoje, 25 anos depois, as duas amigas estão se revendo pela
primeira vez. A emoção do reencontro mostra o quanto foi importante para Jan
contar com o apoio da professora.
Segundo o geneticista John Burn, da Universidade de Newcastle,
na Inglaterra, a compreensão de casos como o de Jan Johnson é algo recente e tem
um impacto profundo para a ciência e para a humanidade.
O principal motivo: como você viu, Jan deveria ter nascido
homem, mas não desenvolveu órgãos sexuais masculinos por um defeito no gene SRY.
Como ela tem genitália feminina, isso é prova de que, até seis semanas de
gestação, todo ser humano é fêmea.
É como se o sexo feminino fosse o gênero padrão da humanidade.
Portanto, simbolicamente, é o contrário do que diz a Bíblia: não foi Eva que
nasceu da costela de Adão, e sim, o oposto. O homem é uma forma adaptada da
mulher.